Uma vida se consome em chamas, com sua simetria desenhada por mil linhas laranja de raiva. O laranja do sol sobre os plátanos de folhas longas da Shanyin Road. O laranja da soma das partes da vergonha antiga, em tons pastéis, do artista. O fogo segue em frente, desde o instante em que estas palavras são ditas, como se pudesse queimar ainda mais forte sem sufocar; continua, como se o apartamento degradado, as ruas de Shanghai e, para ser sincero, o próprio mundo sempre tivessem sido seu combustível. De repente, ele percebe que realmente não poderia arder mais intensamente, que de fato estava sufocando, que o inferno era areia movediça — e que suas brasas eram maquiagem. Diante dessa constatação, tudo explode em uma peregrinação de um segundo; depois, como um sussurro, evapora em monóxido. Ele olha para baixo. O mundo havia sido reduzido a uma camada de cinzas. As sombras de homens e mulheres, pássaros e feras, projetavam-se inclinadas no chão.
Esta é uma história sobre arte e, por isso, também sobre loucura. Sobre Luo Ye, um pintor sem sorte; sobre uma estudante que sacrificou tudo; sobre o gato prateado e o diabo que os seguiu. Em Huoshuyinhua, "Hell Screen", de Akugatawa, sustenta a base narrativa de uma imersão, em vermelho-pó, na Shanghai politicamente turbulenta dos anos 1990 e na China que respirava dentro dela.
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| Plataforma | Data | Região |
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| PC (Microsoft Windows) | 29/01/2016 | China |