Em processo de concepção na mente de Guillermo Del Toro por três décadas, Frankenstein apresenta várias das sensibilidades pelas quais o cineasta ficou conhecido, além de ser extremamente fiel ao romance de Mary Shelley — ao mesmo tempo em que altera aspectos fundamentais da história original.
Apesar de sofrer da mesma fotografia típica de produções Netflix — exageradamente plana e superiluminada —, o filme transborda em estilo, o que inclui seu design de produção. Cenários, figurino e maquiagem são autênticos da época, mas também carregam a personalidade e o aspecto \"tátil\" visto em sucessos de Del Toro como Hellboy, Labirinto do Fauno e A Forma da Água.
O elenco, por sua vez, entrega performances esperadamente ótimas, uma vez é formado por atores excepcionais como Oscar Isaac, Christoph Waltz, Mia Goth e Charles Dance. Mas, para mim, a grande surpresa é Jacob Elordi que, com movimentos, expressões e olhares sutis, comunica a melancolia e confusão do monstro de forma crível e com nuances.
É uma pena que Frankenstein tenha ficado tão pouco tempo em cartaz nos cinemas, pois é uma experiência digna de tela grande. O projeto que por tanto tempo foi almejado por Del Toro aborda com sensibilidade temas que outras tentativas de adaptação fiel, como a de Kenneth Branagh, de 1994, não tiveram tanto sucesso. Esta passa a ser minha versão preferida da obra em filme e acredito que todo fã de Frankenstein (ou de Del Toro) deveria conferir.
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